Mercado de máquinas da linha amarela no Brasil: números de 2025 e o que esperar de 2026
Neste artigo
Segundo o Estudo Sobratema, o Brasil vendeu cerca de 34,3 mil máquinas da linha amarela em 2025, 1% a menos que as 34,8 mil de 2024. Em julho de 2026, a entidade revisou a projeção para 2026 para 35.843 unidades, alta de 4%, puxada por pás carregadeiras e escavadeiras. A Anfavea, que mede as máquinas rodoviárias com outra base, contou 37 mil unidades em 2025 e projeta 35,3 mil em 2026. Para quem cuida de manutenção, três números importam mais que o total de vendas: a maior parte das frotas tem até 10 anos, a parcela de máquinas paradas subiu e o estoque de máquinas usadas no país é estimado em 90 mil a 120 mil unidades.
Quanto a linha amarela vendeu em 2025
A Sobratema publica o Estudo do Mercado no fim do ano e faz uma revisão no meio do ano, no evento Radar Tendências (em 2026, em julho). Os números de 2025 abaixo são os do estudo apresentado em dezembro de 2025, com o ano quase fechado.
| Equipamento | Vendas em 2025 | Variação sobre 2024 |
|---|---|---|
| Retroescavadeiras | 10,5 mil | -5% |
| Escavadeiras hidráulicas | 8,1 mil | Estável |
| Pás carregadeiras | 5,7 mil | Estável |
| Motoniveladoras | 2.193 | Não informada |
| Minicarregadeiras | Não informado | +21% |
| Caminhões fora de estrada | Não informado | +23% |
| Total da linha amarela | 34,3 mil | -1% |
| Todos os equipamentos (inclui guindastes, plataformas, concreto e caminhões rodoviários) | 56,7 mil | -2% |
O dado de motoniveladoras vem da revisão de julho de 2026, que cita 2.193 unidades no exercício anterior. A projeção de julho de 2026 (35.843 unidades com alta de 4%) indica uma base de cerca de 34,5 mil em 2025, muito perto da estimativa de dezembro.
Duas leituras ajudam a entender o tamanho do mercado. Primeiro, retroescavadeiras, pás carregadeiras e escavadeiras somam em média 76% das vendas da linha amarela desde 2019, segundo a Revista M&T. Segundo, 2025 foi mais um ano acima de 30 mil máquinas, patamar que a Sobratema espera manter em 2026 pelo sétimo ano seguido. O recorde recente foi 2022, com quase 40 mil unidades. Depois dele, as vendas caíram 18% em 2023, subiram 14% em 2024 e ficaram praticamente estáveis em 2025. É um mercado que oscila com juros e obras públicas, mas não sai de um patamar alto.
O que esperar de 2026
Em dezembro de 2025, a Sobratema projetava alta de apenas 1% para a linha amarela em 2026. Em julho de 2026, com o primeiro semestre na mão, a projeção subiu para 4%. A revisão por equipamento ficou assim:
| Equipamento | Projeção para 2026 (jul/2026) | Variação e comparação |
|---|---|---|
| Retroescavadeiras | 10.500 | -2%, ante 10.706 previstas em outubro de 2025 |
| Escavadeiras | 8.800 | +7%, acima das 8.200 previstas antes |
| Pás carregadeiras | 6.500 | +12%, acima das 5.812 previstas antes |
| Motoniveladoras | 2.193 | 0%, mesmo patamar de 2025 |
| Rolos compactadores | 2.700 | +10% |
| Tratores pesados | 790 | -7% |
| Miniescavadeiras | Não informado | -4% |
| Total da linha amarela | 35.843 | +4% |
| Todos os equipamentos | 58.611 | +4% |
No primeiro semestre de 2026, as compras se dividiram assim por setor: setor público 23%, construção pesada 22%, locação 19%, construção leve 14%, agro e florestal 12% e mineração 10%. Cerca de 39% das aquisições foram feitas com capital próprio e só 17% com CDC. O estudo de julho trabalhou com a projeção de Selic de 13,75% para o ano, feita pelo Bradesco. Juro alto segue como um dos freios da renovação de frota.
Locação: peso crescente, mas ainda menor que lá fora
A locação respondeu por 19% das compras do primeiro semestre de 2026. Mesmo assim, a maioria das construtoras ainda aluga pouco: na pesquisa da Sobratema, 58% alugam até 10% dos equipamentos que usam nas obras, 17% alugam de 11% a 25%, outros 17% alugam de 25% a 50% e 8% alugam mais da metade. Em mercados mais desenvolvidos, a locação responde por 40% a 45% do uso de equipamentos. Para a manutenção, isso significa que a maior parte das máquinas em obra ainda é da própria construtora, que mantém oficina ou terceiriza o serviço, enquanto as locadoras ganham espaço nas compras de máquinas novas.
Os números da Anfavea e da Abimaq
A Anfavea publica o balanço das máquinas rodoviárias (de construção) junto com o das agrícolas. No balanço divulgado em 15 de abril de 2026:
- As vendas de 2025 ficaram em 37 mil unidades, no mesmo patamar de 2024 e 2 mil abaixo do recorde de 2022.
- As exportações subiram 17,8%, para 17,1 mil máquinas.
- As importações passaram de 20 mil unidades, alta de 10%, e mais de 16 mil vieram da China.
- Para 2026, a projeção é de 35,3 mil unidades vendidas (-4,7%) e queda de 10,7% nas exportações.
Sobratema e Anfavea não batem porque usam bases e recortes de equipamento diferentes. Compare sempre a variação de cada série com ela mesma, e não o número de uma com o da outra.
A Abimaq olha a indústria de máquinas como um todo, não só a linha amarela. Em 2025, a receita líquida do setor foi de R$ 299 bilhões (+7,3%), e os importados chegaram a 46% do consumo de máquinas no país, cerca do dobro de uma década antes. As máquinas chinesas responderam por 32,5% das importações.
A frota: idade, máquinas paradas e usadas
Idade
Na pesquisa da Sobratema com compradores de máquinas, divulgada em julho de 2026, 39,1% das empresas disseram operar equipamentos com até 5 anos, 43,5% com 5 a 10 anos, 13% com 10 a 15 anos e 4,3% com 15 a 20 anos. Ou seja, mais de 80% das empresas operam frotas de até 10 anos, e a faixa de 5 a 10 anos é a mais comum. Os estudos consultados não publicam idade média nem horas trabalhadas da frota nacional.
Máquinas paradas
A frota parada média subiu para 18% em 2025 (média ponderada), contra 11% em 2024. Em 2017, chegou a 50%. O setor considera aceitável até 20%. Em julho de 2026, 39% dos usuários diziam trabalhar com até 10% da frota parada e 21% com até 20%. Ainda em 2025, só 49% das empresas de construção disseram que a frota cresceu entre janeiro e setembro, contra 71% em 2024.
Usadas
O mercado de seminovos é estimado entre 90 mil e 120 mil unidades no Brasil, segundo a Maquinalista, citada pela Revista M&T. A locadora Armac, que tem 18 lojas de seminovos e se apresenta como a maior rede do segmento na linha amarela, estima esse mercado em pelo menos R$ 18 bilhões por ano. Na pesquisa de julho de 2026, 60,9% dos compradores disseram vender suas máquinas usadas pelos próprios canais.
O que isso significa para manutenção e peças de reposição
- A demanda se concentra em três famílias. Retroescavadeiras, escavadeiras e pás carregadeiras são cerca de três quartos das vendas. É nelas que estão a maior parte dos cilindros a reformar e dos kits de vedação a ter em estoque.
- A faixa de 5 a 10 anos é a mais comum nas frotas. São máquinas fora da garantia de fábrica, com horas acumuladas, em que retentores, raspadores e anéis-guia entram no plano de manutenção. Use um checklist de manutenção preventiva dos cilindros por horímetro.
- Máquina parada também se desgasta. Com 18% da frota parada, parte dessas máquinas volta ao serviço depois de um tempo no pátio. Antes de religar, inspecione hastes expostas, vazamentos e o nível e o estado do óleo.
- Usada pede avaliação dos cilindros. Com um estoque de 90 mil a 120 mil seminovos, comprar usada é rotina. Veja como avaliar os cilindros antes de fechar negócio.
- Mais marcas na frota, mais cuidado na identificação. Com mais de 16 mil máquinas rodoviárias importadas da China em 2025, segundo a Anfavea, oficinas e frotistas lidam com mais marcas e modelos. Identifique o kit pelas medidas e pelo número de série, como mostramos em como identificar o kit de vedação certo.
- Sem dado público de horas, use o seu. Os estudos de mercado não publicam horas trabalhadas da frota. O horímetro de cada máquina é o melhor indicador para planejar a troca de vedações.
A Atacado Vedações trabalha com kits compatíveis para as máquinas que dominam essa frota em uso, com pronta entrega e envio para todo o Brasil. Para saber quais delas são fabricadas no país, veja o artigo sobre as fábricas da linha amarela no Brasil.
Perguntas frequentes
Quantas máquinas da linha amarela foram vendidas no Brasil em 2025?
Cerca de 34,3 mil, segundo o Estudo Sobratema de dezembro de 2025, queda de 1% sobre as 34,8 mil de 2024. A Anfavea, com outra base, contou 37 mil máquinas rodoviárias vendidas em 2025.
Qual a previsão de vendas de máquinas da linha amarela para 2026?
A Sobratema revisou em julho de 2026 a projeção para 35.843 unidades, alta de 4%. Pás carregadeiras (+12%) e escavadeiras (+7%) puxam o crescimento, enquanto as retroescavadeiras devem cair 2%. A Anfavea projeta 35,3 mil máquinas rodoviárias, queda de 4,7%.
Qual máquina da linha amarela mais vende no Brasil?
A retroescavadeira. Foram cerca de 10,5 mil unidades em 2025, à frente das escavadeiras (8,1 mil) e das pás carregadeiras (5,7 mil), segundo a Sobratema.
Por que os números da Sobratema e da Anfavea são diferentes?
As duas entidades usam bases de dados e recortes de equipamento diferentes. Por isso o melhor é comparar a variação de cada série com ela mesma ao longo dos anos.
Fontes consultadas
- Revista M&T, ed. 306 (ago/2026): Mercado brasileiro de máquinas se mantém estável
- Revista M&T (24/07/2026): Vendas de máquinas de linha amarela devem crescer 4% em 2026, aponta Estudo Sobratema
- Revista M&T, ed. 300 (dez/2025): Um ano de expectativas ajustadas
- Siderurgia Brasil (04/12/2025): As perspectivas de equipamentos da linha amarela para 2026
- Broto Notícias (04/12/2025): Vendas de máquinas de linha amarela devem fechar 2025 estáveis, aponta Sobratema
- Construa Negócios (15/04/2026): Setor de máquinas registra entrada recorde de importados em 2025 (dados Anfavea)
- CNN Brasil (28/01/2026): Vendas da indústria de máquinas sobem 7,3% em 2025, afirma Abimaq
- Revista M&T (31/03/2026): Armac atinge receita de R$ 2 bilhões
Marcas citadas pertencem aos seus fabricantes. A Atacado Vedações comercializa kits compatíveis de reposição.
